Vorcaro diz à PF que diretor do BC atuou com normalidade sobre negócio com BRB até o dia de sua prisão
23/01/2026
(Foto: Reprodução) Fachada do Banco Master na Faria Lima e Daniel Vorcaro
Amanda Perobelli/Reuters; Reprodução
Em depoimento à Polícia Federal, Daniel Vorcaro afirmou que Ailton de Aquino Santos, diretor de fiscalização do Banco Central, atuou com normalidade sobre negócio com BRB até o dia de sua prisão, realizada em 17 de novembro.
O blog teve acesso à transcrição do depoimento dado no final de 2025 à delegada da PF responsável pelo caso.
Segundo as informações constantes na transcrição, realizada por meio de inteligência artificial, o dono do Banco Master afirmou que a atuação da diretoria de fiscalização do Banco Central transcorreu dentro da normalidade e que eram debatidos diariamente os pontos com relação tanto ao Banco Master, quanto à negociação do BRB.
Segundo Vorcaro, ele e o diretor Ailton chegaram a participar de uma reunião por videoconferência no próprio dia 17 de novembro de 2025, data em que foi efetivada a prisão do banqueiro.
O Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito do Master para o BRB no valor de R$ 12,2 bilhões.
Ainda de acordo com a transcrição, Vorcaro disse que o acompanhamento do Banco Central sobre as operações do Master era constante. Ele afirmou que o órgão regulador não só sabia como acompanhou todo o processo de negociação de venda para o BRB.
O empresário também relatou surpresa com a deflagração da operação policial e com sua prisão. Segundo ele, após uma notificação recebida em março de 2025, não houve novos questionamentos por parte das autoridades.
No depoimento, Vorcaro ainda apontou a existência de um conflito interno dentro do Banco Central. De acordo com a transcrição, ele diz que, enquanto a diretoria comandada por Ailton buscava uma solução de mercado para o caso, a diretoria de organização financeira teria sido responsável por gerar o alvoroço que culminou na liquidação do banco e em sua prisão.
Por fim, Vorcaro afirmou que, no próprio dia 17 de novembro, solicitou uma reunião com o diretor de fiscalização para apresentar um plano definitivo de solução. A proposta, segundo ele, previa a venda de instituições do grupo a investidores estrangeiros. No encontro, o banqueiro disse ainda ter informado que viajaria ao exterior para concluir essas negociações.