Trechos da Avenida Liberdade fica às escuras após inauguração, na Grande Belém; governo diz que situação foi resolvida

  • 03/04/2026
(Foto: Reprodução)
Avenida Liberdade é inaugurada na Grande Belém A nova pista expressa avenida Liberdade, que liga a Alça Viária à avenida Perimetral, integrando três municípios da Região Metropolitana de Belém, foi inaugurada na quinta-feira (3) com trechos sem iluminação. Segundo o governo do Pará, o problema já foi resolvido. De acordo com a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seinfra), a falta de luz ocorreu por causa do furto de fiação elétrica em pontos específicos da via, que tem 14 quilômetros de extensão. A inauguração ocorreu por volta das 10h da manhã de sexta (3). À noite, motoristas e ciclistas que passaram pelo local relataram a ausência total de iluminação em alguns trechos da pista. Com investimento de R$ 410 milhões, a obra tinha entrega prevista para outubro de 2025, antes da Conferência do Clima da ONU (COP30), mas só foi concluída cinco meses após o evento. Via expressa sem interrupções A avenida Liberdade foi entregue sob a promessa de revolucionar a mobilidade na Região Metropolitana de Belém, criando uma nova alternativa de acesso à capital. A Alça Viária é um complexo rodoviário de cerca de 74 km que conecta a Região Metropolitana de Belém ao interior do Pará e ao Porto de Vila do Conde, entre a BR-316 e a entrada da nova via. Avenida Liberdade durante obras. Edivaldo Sodré / Agência Pará Segundo o governo do Pará, a avenida Liberdade é a primeira via expressa sem interrupções da Amazônia, visando beneficiar mais de dois milhões de pessoas. A expectativa é de maior fluidez no trânsito, redução do tempo de deslocamento e o desafogamento de vias na Grande Belém. Além disso, o corredor também pode facilitar o acesso ao Porto de Vila do Conde, em Barcarena, impactando a ligação com as regiões sul e sudeste do estado. Em termos de medidas ambientais, o projeto prevê a implantação de 34 passagens de fauna – sendo 22 aéreas e 12 subterrâneas – além da preservação de áreas naturais, quatro viadutos e duas pontes, buscando ampliar a segurança e a capacidade de tráfego. Críticas, impactos e ações judiciais Apesar das promessas de progresso, a construção da Avenida Liberdade é alvo de fortes críticas de moradores e ambientalistas, que denunciam severos danos socioambientais. Famílias ribeirinhas que dependem da pesca e do extrativismo relatam a destruição de meios de subsistência. "Quando eles começaram a passar a máquina, eu chorei de tanta dor, tanta tristeza, que eu via eles derrubando, sem pena, o açaí, porque aqui é o nosso ganha pão", desabafou Ana Alice dos Santos, agroextrativista. O pescador Ivanildo da Silva acrescentou: "O peixe sumiu. O camarão, a gente pega bem pouquinho. A água está poluída", se referiu ao rio da região, que, segundo ele, recebeu rejeitos e sofreu assoreamento. A obra, que suprimiu cerca de 72 hectares de floresta, atravessa uma unidade de conservação e impacta pelo menos 250 famílias de povos tradicionais. A Defensoria Pública do Estado do Pará questionou a obra judicialmente por falta de consulta adequada às comunidades. Traçado da avenida. Arte/g1 Em novembro de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou a obra nas redes sociais. “They ripped the hell out of the rainforest of Brasil to build a four lane highway for environmentalists to travel. It's become a big scandal!” Tradução: “Devastaram a floresta do Brasil para construir uma rodovia de quatro pistas para ambientalistas. Virou um grande escândalo!”, escreveu o republicano, referindo-se à avenida Liberdade, uma obra que não possuía ligação direta com a COP 30, segundo o governo brasileiro.​ O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), respondeu: “Em vez de falar de estradas, o presidente norte-americano Donald Trump deveria apontar caminhos contra as mudanças climáticas. [...] No mínimo, (Trump deveria) seguir o exemplo do Governo do Brasil e investir mais de R$ 1 bilhão para salvar florestas no mundo". Mais recentemente, o Ministério Público Federal (MPF) protocolou, entre os dias 23 e 26 de março, duas ações na Justiça Federal para tentar suspender as obras em áreas ocupadas por ribeirinhos e garantir a regularização fundiária de territórios tradicionais. O MPF apontou que a construção atingiu historicamente as comunidades de Nossa Senhora dos Navegantes, Beira-Rio e Uriboquinha, entre Belém, Ananindeua e Marituba, sem a devida consulta. O órgão também denunciou "esbulho possessório", desmatamento, destruição de milhares de pés de açaí e demolição de moradias sem indenização prévia ou avaliação adequada dos impactos. Além disso, o MPF levantou a preocupação de que as barreiras físicas da via possam isolar as comunidades de locais de cultivo e coleta. A Justiça Federal ainda analisará os pedidos de urgência do MPF. Problemas como alagamentos após intervenções na Avenida Liberdade já geraram protestos, como o fechamento da Alça Viária em Marituba, no último dia 12. Também houve registros de erosão e cedimento de asfalto em trechos em obras. Posicionamento do governo Em resposta às acusações, a Secretaria de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) afirmou que a obra da avenida Liberdade possui "licença ambiental concedida após rigoroso processo de licenciamento, com acompanhamento técnico contínuo para controle de impactos". A Semas pontuou que a iniciativa foi debatida em audiências públicas com ampla participação da população e de representantes de comunidades tradicionais. A Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), informou que enviou equipes técnicas para avaliar possíveis impactos, como os alagamentos relatados. VÍDEOS: veja todas as notícias do Pará Confira outras notícias do estado no g1 PA

FONTE: https://g1.globo.com/pa/para/noticia/2026/04/03/trechos-da-avenida-liberdade-fica-as-escuras-apos-inauguracao-governo-diz-que-situacao-foi-resolvida.ghtml


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