Relator no STM de processo que pode levar à expulsão de Bolsonaro relativizou fala do ex-presidente em sabatina

  • 03/02/2026
(Foto: Reprodução)
Tenente-brigadeiro Aquino passou por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça em 2018. Agência Senado Sorteado como relator do processo no Superior Tribunal Militar (STM) que pode levar à expulsão de Jair Bolsonaro das Forças Armadas, o ministro tenente-brigadeiro do ar Carlos Vuyk de Aquino já relativizou declarações do ex-presidente sobre hierarquia nas Forças Armadas e defendeu, em sua sabatina no Senado, que a Justiça Militar julgue crimes cometidos por militares contra civis, afirmando que o tribunal seria mais duro que a Justiça comum. Aquino foi indicado pelo presidente Michel Temer para a vaga na Corte e, durante sua sabatina, o senador Jorge Viana (PT-AC) manifestou preocupação com declarações de Bolsonaro, então candidato à Presidência. À época, Bolsonaro afirmou a um tenente-coronel do Bope que, embora estivesse prestando continência a um coronel, “quem vai mandar no Brasil serão os capitães” — frase que Viana interpretou como uma ameaça à hierarquia militar. Aquino respondeu que, caso fosse eleito, Bolsonaro deixaria de ser capitão e assumiria o comando supremo das Forças Armadas como Presidente da República. Na mesma sabatina, o então candidato ao STM defendeu que um civil comandasse o Ministério da Defesa -- o que não ocorreu durante a gestão de Jair Bolsonaro, e se definiu como um democrata. O ex-presidente Jair Bolsonaro é alvo de julgamento no STM Getty Images via BBC O militar defendeu que a Justiça Militar julgue crimes dolosos cometidos por militares das Forças Armadas contra civis, quando estiverem no cumprimento da função. Na época, Aquino respondeu que a Justiça Militar "é muito mais dura que a Justiça comum". Anos depois, em 2024, o STM absolveu 8 militares condenados pela morte do músico Evaldo Rosa, fuzilados durante uma operação do Exército em Guadalupe, na Zona Norte do Rio de Janeiro, em 2019. Outra questão levantada durante a sabatina foi o excludente de ilicitude — hipótese em que um militar pratica um crime, mas há justificativa legal para o ato. À época, dois projetos sobre o tema tramitavam na Câmara, um deles de autoria de Jair Bolsonaro. “Essas medidas não vêm para perturbar, mas para dar condições para os agentes do Estado cumprirem seu dever e a lei”, respondeu Aquino. O projeto de Bolsonaro acabou arquivado. Na época, a indicação de Aquino foi aprovada com 23 votos favoráveis na Comissão de Constituição e Justiça e posteriormente Plenário pelo Senado. A posse aconteceu no fim de novembro de 2018.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/blog/julia-duailibi/post/2026/02/03/relator-no-stm-bolsonaro.ghtml


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