PM é condenado por furtar arma de quartel para matar a ex-namorada e os filhos dela no interior de SP
20/01/2026
(Foto: Reprodução) Ednei Antonio Vieira é acusado de matar a ex-namorada e os dois filhos dela em Apiaí, SP
Reprodução
Ednei Antonio Vieira, o policial militar acusado de matar a ex-namorada e os dois filhos dela em Apiaí, no interior de São Paulo, foi condenado por furtar do quartel do Corpo de Bombeiros a arma usada no crime. A pena foi fixada em sete anos e seis meses de reclusão, a ser cumprida em regime semiaberto no Presídio Romão Gomes, em São Paulo (SP). Ainda cabe recurso da decisão em primeira instância.
No dia 16 de maio de 2024, o PM invadiu a casa da professora Josilene Paula da Rosa, de 39 anos, e atirou dez vezes, matando a mulher e os filhos dela, Arthur, de 12, e Gabriel, de 20. A Polícia Civil concluiu que os assassinatos aconteceram porque o homem não aceitou o fim do relacionamento.
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Esta sentença é da 4ª Auditoria Militar do Estado de São Paulo. O réu segue em prisão preventiva, pois aguarda o julgamento da Justiça comum, que acabou sendo adiado após a defesa dele abandonar o plenário. A nova data não foi divulgada. O g1 não localizou a defesa do policial até a última atualização desta reportagem.
Julgamento de bombeiro acusado de matar ex-namorada e filhos, em Apiaí, é adiado
Conforme relatado no documento da sentença militar, obtido pelo g1 nesta terça-feira (20), o homem estava de folga, mas foi até o quartel com a justificativa de que iria tirar o nome da escala de trabalho. O réu pediu para que o colega de plantão guardasse os três potes de açaí que havia comprado para o efetivo de serviço, com o objetivo de ficar sozinho na sala em que estava a arma da corporação.
Ainda de acordo com o relatório, "após o furto da pistola, do carregador e das [15] munições, o acusado dirigiu-se à residência da então namorada e, com o armamento da corporação, atirou contra ela e seus dois filhos, matando-os".
O homem foi condenado por peculato furto — o crime está descrito no artigo 303, § 2º do Código Penal Militar, que descreve a conduta de quem usa a facilidade proporcionada pela condição de militar ou servidor público para subtrair um bem, sem ter a posse ou detenção dele.
Condenação
Imagem mostra momento em que bombeiro suspeito de matar a ex-namorada e filhos dela é preso em Itapeva (SP)
Itapeva Alerta/Divulgação
O Conselho Permanente de Justiça da 4ª Auditoria Militar julgou procedente a denúncia e condenou o réu durante sessão de julgamento realizada na última quinta-feira (15). Na decisão, o juiz Bruno Maciel dos Santos levou em consideração os seguintes pontos:
➡️A intensidade do dolo, pois o réu estava de folga, morava em outra cidade e se deslocou no período noturno com o propósito de subtrair o armamento para cometer o crime.
➡️A extensão do dano porque a arma nunca foi encontrada e pode estar na posse de criminosos.
"Também pelo prejuízo moral em virtude da grande repercussão do crime e de seus desdobramentos na localidade, tratando-se de município pequeno, com significativos danos internos e à imagem da Polícia Militar do Estado de São Paulo e do Corpo de Bombeiros, em especial", destacou Bruno.
➡️As circunstâncias de tempo e local. De acordo com a decisão, o acusado se aproveitou da confiança do colega em serviço, "violando valores essenciais aos policiais militares, como a lealdade e o profissionalismo".
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