Perícia usou cabelo para investigar envenenamento de médico do Espírito Santo por secretária

  • 25/02/2026
(Foto: Reprodução)
Médico Victor Murad, de 90 anos, acusa a ex-secretária de envenená-lo com arsênio A investigação sobre o suposto envenenamento do cardiologista Victor Murad, de 90 anos, precisou recorrer a uma técnica incomum: a análise de fios de cabelo. O método foi adotado porque exames tradicionais, como os de sangue e urina, já não conseguiam detectar a substância no organismo, segundo a perícia. De acordo com a polícia, o médico foi encaminhado para exames após surgirem suspeitas de intoxicação. A confirmação só foi possível com uma amostra de cabelo enviada para análise em laboratório da Universidade Federal do Espírito Santo. "Se eu fosse usar amostra de sangue ou de urina, eu não conseguiria detectar porque já teria sido eliminado do organismo", diz Mariana Dadalto, perita da Polícia Científica do Espírito Santo. "O cabelo foi possível porque o arsênio continuou no cabelo, mesmo depois de 3 meses que não havia mais a exposição", explica. Especialistas explicaram que o arsênio é eliminado do sangue e da urina com o passar do tempo, o que dificulta a identificação em casos de exposição antiga. Já o cabelo funciona como um “registro” da contaminação, pois a substância permanece incorporada à estrutura capilar mesmo meses depois. Veneno foi encontrado no cabelo do médico por peritos. Reprodução/TV Globo/Fantástico Segundo a perícia, o arsênio começa a aparecer no bulbo capilar cerca de duas semanas após a ingestão. No exame, foram analisados fios de aproximadamente 15 centímetros, o que permitiu reconstituir um histórico prolongado de exposição. Os resultados indicaram que o médico teria sido envenenado por pelo menos um ano e três meses. A suspeita de crime surgiu após a demissão de Bruna Garcia, que era secretária de Murad, quando uma funcionária encontrou um frasco de arsênio escondido em um depósito da clínica. O desafio da perícia era, então, provar a ingestão da substância meses depois, já que o arsênio é eliminado rapidamente do sangue e da urina. A análise também apontou redução da quantidade da substância no organismo após o afastamento de Bruna. Paralelamente ao laudo toxicológico, a polícia rastreou a origem do produto utilizado. A nota fiscal de compra do veneno estava em nome do marido da secretária, que chegou a ser incluído nas apurações, mas foi posteriormente descartado por falta de indícios de participação. Médico Victor Murad foi envenenado pouco a pouco Reprodução/TV Globo Entenda o caso Bruna trabalhava na clínica de Murad desde 2013. Ela é filha de uma antiga funcionária que trabalhou com o cardiologista por duas décadas. Por causa desse vínculo, a secretária detinha controle total sobre as finanças do médico, que não utilizava ferramentas digitais como o PIX. "Confiava cegamente nela, foi esse meu mal. Acreditava nela, assim, ela encanta qualquer um. É uma serpente", desabafou o médico. A investigação aponta que Bruna desviou R$ 544 mil ao longo de 12 anos. O dinheiro era usado para financiar um padrão de vida luxuoso, com viagens para a Disney e hotéis de alto padrão, enquanto o médico via seu patrimônio diminuir sem explicação. "Quando eu fui uma vez questionar o gerente, falei: 'Como é que pode que meu saldo não sobe?'. O gerente dizia que eu estava gastando demais. E era ela que estava tirando o dinheiro", relata Murad. Segundo o promotor Rodrigo Monteiro, os saques eram frequentes e variados: "Eram valores de três, quatro, até dez mil reais. Às vezes duas, três transferências no mesmo dia". Cortina de fumaça com veneno Para o Ministério Público, o envenenamento começou quando os desvios ficaram prestes a ser descobertos. A intenção da secretária seria jogar uma cortina de fumaça e afastar a responsabilidade pelos crimes financeiros através da morte da vítima. Enquanto Bruna ostentava em redes sociais, o médico apresentava sintomas graves e inexplicáveis: Dores intensas e vômitos com sangue; Anemia profunda e fraqueza nas pernas; Agravamento dos tremores e rigidez da doença de Parkinson. O veneno, segundo a polícia, era misturado à comida e à água de coco servidas na clínica. Devido ao mal-estar constante, Victor Murad precisou fechar o consultório que mantinha há mais de 30 anos. Defesa nega crimes Bruna Garcia está presa desde outubro e deve ser levada a júri popular por tentativa de homicídio qualificado. O advogado de defesa, James Gouveia, nega todas as acusações. "Ter um laudo que foi envenenado não comprova que a Bruna o envenenou. Pode ter sido outra pessoa, pode ter sido acidental", afirmou. Sobre o dinheiro, a defesa sustenta que toda a movimentação financeira era de conhecimento do médico e devidamente autorizada por ele. Victor Murad segue em recuperação em casa. "Sempre a tratei como se fosse uma filha minha, e ela tentando me matar. Ela te mata sorrindo", concluiu o cardiologista. Ex-secretária do médico é a principal suspeita do crime Reprodução/TV Globo Ouça os podcasts do Fantástico O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.

FONTE: https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2026/02/25/pericia-usou-cabelo-para-investigar-envenenamento-de-medico-do-espirito-santo-por-secretaria.ghtml


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