Paisagens exuberantes e contato com a natureza atraem turistas para Itararé: 'Riquezas naturais ainda desconhecidas', diz morador
28/08/2026
(Foto: Reprodução) Paisagens e contato com a natureza atrai visitantes para ecoturismo em Itararé
O interior paulista abriga paisagens que se destacam pela beleza natural, com cânions, grutas, rios, trilhas e cachoeiras. Em Itararé, no sudoeste do estado, o contato com a natureza atrai visitantes em busca de experiências ligadas ao ecoturismo.
Os 133 anos da emancipação política do município são celebrados nesta sexta-feira (28). Para marcar a data, o g1 mostra alguns dos atrativos que têm despertado o interesse dos turistas pela cidade, que tem mais de 44 mil habitantes.
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🌳 Ecoturismo
Há 14 anos, Renan Estevam Almeida Luiz, de 35 anos, trabalha como agente de turismo em Itararé. Ao g1, ele contou que decidiu ingressar na profissão depois de perceber o potencial turístico da região e encontrou na atividade uma oportunidade de complementar a renda.
“Era algo que eu já gostava de fazer, que era estar em contato com a natureza. Comecei guiando familiares e amigos dos familiares, que vinham de outras regiões para conhecer a cidade”, relembrou.
Em 2018, Itararé recebeu o reconhecimento oficial de Município de Interesse Turístico (MIT)
Arquivo pessoal/Edilson José de Moraes
Renan conseguiu abrir sua própria agência de turista em 2023. Durante esse período, ele chegou a acompanhar a visita de estrangeiros acompanhados de famílias brasileiras, como norte-americanos, alemães e israelenses.
Além de moradores da região que, pela primeira vez, foram a Itararé para conhecer as paisagens atrativas.
“É uma oportunidade de apresentar um cantinho escondido do estado de São Paulo, que guarda riquezas naturais ainda desconhecidas. A região ainda é desconhecida por parte de muitos moradores das grandes cidades, que procuram locais tranquilos e novos para visitar”, avalia Renan.
Entre os pontos turísticos de Itararé estão locais como grutas, cachoeiras, trilhas e parques
Arquivo pessoal/Edilson José de Moraes
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Entre os pontos turísticos e passeios disponíveis na cidade, o agente de turismo explicou que o interesse dos visitantes varia conforme a estação do ano. No verão, por exemplo, ele recomenda experiências nos rios Verde e da Vaca, onde é possível praticar aquatrekking.
🔎Aquatrekking, ou trilha aquática, é uma modalidade de ecoturismo e turismo de aventura que mistura caminhada e exploração de ambientes aquáticos, como leitos de rios, riachos, cânions e cachoeiras.
“O Parque da Barreira é o mais conhecido, principalmente por causa do ecoturismo e do turismo religioso. Porém, o Rio Verde e o Rio da Vaca têm apresentado uma procura maior durante o verão, principalmente por parte dos banhistas”, apontou.
Há 14 anos, um morador atua como agente de turismo na cidade
Arquivo pessoal/Renan Estevam Almeida Luiz
Para ele, o crescimento do ecoturismo em Itararé pode ser percebido pelo aumento da procura de pessoas interessadas em conhecer a região.
Segundo Renan, a divulgação das paisagens nas redes sociais também contribui para esse movimento. As fotos publicadas pelos visitantes despertam a curiosidade de outras pessoas e aumentam o interesse em conhecer os atrativos naturais do município.
“Eles ficam encantados com a beleza do local e também por ser uma região ainda pouco conhecida. Meu momento favorito é quando quem visita pode esquecer um pouco da vida, do trabalho e das obrigações do dia a dia, podendo finalmente relaxar e descansar."
O agente de turismo diz que os visitantes buscam as paisagens naturais de Itararé para fugir do estresse diário
Arquivo pessoal/Renan Estevam Almeida Luiz
O morador apontou que o aumento, ou até a motivação para a busca desses destinos, pode ser uma forma de fugir da rotina e do estresse diário.
Apesar da importância desse aumento, Renan destacou que é necessário ter planejamento e cuidado com os espaços naturais, para que o crescimento não transforme a região com o turismo massivo e prejudique os espaços preservados.
“O ecoturismo se conecta a outros segmentos do turismo, como o turismo de aventura, o turismo rural e o turismo de experiência. Essa integração acaba contribuindo para a geração de renda e para o desenvolvimento da população local”, comentou.
🏞️ Município de Interesse Turístico
Em 2018, Itararé recebeu o reconhecimento oficial de Município de Interesse Turístico (MIT). Segundo o secretário de turismo, Edilson José de Moraes, o planejamento estratégico atual busca elevar a cidade ao status de Estância Turística até 2028.
“O turismo atua de forma integrada com a economia local, movimentando setores como meios de hospedagem, gastronomia, transporte e comércio. Além disso, gera renda direta para a cadeia produtiva local, incluindo condutores, guias turísticos e artesão”, avaliou o secretário.
Itararé, no interior de São Paulo, abriga diversas paisagens que chamam atenção devido à beleza natural
Arquivo pessoal/Edilson José de Moraes
Edilson informou que, atualmente, a prefeitura tem investido no fortalecimento do ecoturismo. Além de focar na estruturação de segmentos turísticos, como o de aventura e cultural religioso.
“O contato com o meio ambiente transforma o comportamento e fomenta a consciência ambiental. A experiência turística reforça a necessidade de equilíbrio entre a conservação dos ecossistemas e o desenvolvimento econômico. Significa valorizar a história e o patrimônio local."
Itararé integra a Região Turística Cânions Paulistas, reconhecida pelo Ministério do Turismo
Arquivo pessoal/Edilson José de Moraes
O secretário aponta que há cerca de 25 anos a cidade percebeu que tinha vocação para o turismo. Desde então, Itararé passou por diversas etapas de desenvolvimento e investimento. O município integra a Região Turística Cânions Paulistas, reconhecida pelo Ministério do Turismo. Entre os pontos turísticos na cidade estão:
Parque Ecológico da Barreira: localizado a 4 km do centro urbano, na divisa com o estado do Paraná;
Rios Verde e da Vaca: situados no bairro do Ibiti, a cerca de 10 km do Centro, destacam-se pelas águas cristalinas e temperaturas agradáveis;
Serra da Ventania: a 35 km do Centro, no limite territorial com Bom Sucesso de Itararé, com altitude aproximada de 1.200 metros;
Serra da Lumber: a 25 km do Centro, em uma estrada histórica que remonta ao período do ciclo da madeira e à expansão ferroviária na região.
Mirante do Morro Chato: na área rural, a 20 km do Centro, oferecendo uma vista panorâmica de 360 graus e o pôr do sol mais expressivo da região.
O pico de visitas ocorre durante a temporada de verão. Porém, o município busca combater a sazonalidade, montando novas programações turísticas focados no período de inverno.
“As orientações aos visitantes abrangem práticas de mínimo impacto, proteção contra insolação, prevenção de acidentes com animais peçonhentos e fauna local. O horário regular de visitação ocorre das 8h às 18h, ajustando-se nas temporadas de maior iluminação solar ou em roteiros específicos para observação do nascer do sol”, indicou o secretário municipal.
Segundo o secretário, o pico das visitas em Itararé acontece durante a temporada de verão
Arquivo pessoal/Edilson José de Moraes
Aos interessados em visitar as paisagens naturais de Itararé, o secretário indicou o uso de veículos adequados para acessar alguns locais e também ter o acompanhamento de guias ou condutores credenciados, para ter acesso à pontos restritos.
Ao g1, o agente de turismo contou que a divulgação nas redes sociais dos pontos turísticos atraí interesse do público
Arquivo pessoal/Renan Estevam Almeida Luiz
Pedra que o rio cavou
Conforme a Prefeitura, Itararé está localizada em uma área conhecida como Campos de São Pedro, que se estende do rio Verde até o rio Itararé, responsável por dar nome ao município.
Em tupi-guarani, Itararé significa “pedra que o rio cavou”. O nome faz referência ao curso do rio Itararé, que corre por um leito rochoso moldado ao longo do tempo pela força da correnteza, formando altos paredões, grandes cachoeiras e grutas.
Inicialmente habitada por indígenas Guainazes, a região também foi ponto de passagem de bandeirantes, exploradores, jesuítas e estudiosos. O local se tornou ainda um dos pontos de descanso dos tropeiros que vinham do Sul transportando animais para a feira de Sorocaba pelo conhecido Caminho das Tropas
Parque Ecológico da Barreira, em Itararé
Cedida/Edilson Moraes
A chamada Barreira de Itararé era um ponto estratégico para os viajantes. Nesse trecho, o rio se estreita e suas margens se aproximam, formando uma passagem natural que permitia a travessia sem a necessidade de enfrentar as águas caudalosas e perigosas do rio.
A organização do município teve início em 1725, com a doação de três sesmarias destinadas ao povoamento e ao desenvolvimento da agricultura e da criação de animais. Com o passar dos anos, as propriedades acabaram concentradas nas mãos de um único dono, que registrou a área como “Fazenda de São Pedro”, em 1836.
Com o desmembramento gradual da propriedade, em 1879, um dos fazendeiros construiu uma capela no ponto de maior concentração de moradores, às margens do riacho da “Prata”, contribuindo para a formação do povoado.
Em 10 de março de 1885, o local foi elevado à condição de freguesia. Em janeiro de 1891, tornou-se curato e, em 3 de fevereiro do mesmo ano, foi criado o Distrito de Paz.
Por fim, por meio da Lei nº 197, de 28 de agosto de 1893, decretada pelo Congresso Legislativo do Estado de São Paulo, foi criado o município de São Pedro de Itararé, que se desvinculou de Itapeva.
O destaque da visita é o pôr do sol no município de Itararé (SP)
Prefeitura de Itararé/Divulgação
*Colaborou sob a supervisão de Larissa Pandori
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