Marinha dos EUA diz que bloqueio no Estreito de Ormuz começará na terça-feira
13/07/2026
(Foto: Reprodução) Trump diz que EUA serão guardiões do Estreito de Ormuz e que país deve ser pago por isso
Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que pretende tomar o controle do Estreito de Ormuz, a Marinha norte-americana anunciou nesta segunda-feira (13) que voltará a bloquear a entrada do estreito.
O novo bloqueio naval, segundo um comunicado da Marinha dos EUA, entrará em vigor a partir da noite de terça-feira (14).
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (13) que vai "tomar o controle do Estreito de Ormuz" ao ser questionado sobre a volta dos conflitos com o Irã.
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Em entrevista à emissora americana Fox News, Trump disse que os EUA serão "os guardiões do estreito" e que deveriam ser "reembolsados" caso liberem a via marítima.
"Vamos manter o estreito e provavelmente vamos administrá-lo. Nos tornaremos os guardiões do estreito. Talvez possamos chamá-lo de anjo da guarda do estreito. E deveríamos ser reembolsados por isso", disse ele em uma entrevista por telefone no programa "Fox & Friends", condenando as autoridades iranianas: "Tínhamos um acordo e eles o quebraram. São um grupo de pessoas ruins".
A fala de Trump contrasta com declarações feitas por ele em junho, dizendo que não haveria cobrança de pedágio no Estreito de Ormuz. Pouco depois, em post na rede Truth Social, ele falou que cobrará o valor de 20% de toda carga que passar pela rota.
"O Estreito de Ormuz está aberto e permanecerá aberto, com ou sem o Irã. Estamos restabelecendo o bloqueio iraniano, assim denominado porque impede apenas a entrada e saída de navios ou clientes iranianos", escreveu.
"Todos os outros países terão uso livre e irrestrito do Estreito. Os EUA serão, a partir deste momento, conhecidos como 'o guardião do Estreito de Ormuz', mas, como tal, e por uma questão de JUSTIÇA, serão reembolsados em 20% de toda a carga transportada, por todos os custos necessários para garantir a segurança desta região tão instável do mundo", completou Trump.
💡 O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo de cerca de 50 quilômetros de largura que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Antes da guerra, cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializado no mundo passava pela área.
💡 Contexto: o memorando de paz assinado por EUA e Irã — e agora deixado de lado — previa que a via marítima fosse reaberta, sem qualquer cobrança durante 60 dias. Nesse período, Irã, Omã e países do Golfo deveriam negociar a futura administração da via.
Donald Trump
REUTERS/Jonathan Ernst
Irã rebate Trump
A declaração do presidente dos Estados Unidos foi imediatamente rebatida pelo comando militar do Irã, que afirmou que "não permitirá que os EUA intervenham na administração" de Ormuz.
"O Irã não permitirá que os EUA intervenham na administração do Estreito de Ormuz. Qualquer tentativa dos EUA de transitar pelo estreito sem a autorização iraniana será fortemente contestada", afirma comunicado, que ainda traz um alerta aos países vizinhos: "Aos líderes dos países da região, qualquer cooperação com os EUA será considerada guerra contra o Irã".
A Guarda Revolucionária iraniana também se pronunciou e declarou que continua afirmando sua "autoridade e controle sobre o Estreito de Ormuz".
"Ao interferir no Estreito de Ormuz, os EUA colocaram em sério risco a segurança do fornecimento global de petróleo e gás", ameaçou o porta-voz.
Irã diz que estreito está fechado, EUA negam
Embarcações no Estreito de Ormuz, vistas de Musandam, Omã
REUTERS / Stringer
Segundo o Irã, o Estreito de Ormuz voltou a ser fechado no sábado (11). Os EUA, tanto Trump quanto o comando militar que atua na região, negam.
O anúncio foi feito por Teerã depois de os EUA anunciarem ter atacado 140 alvos militares iranianos nas últimas 24 horas, totalizando mais de 300 durante três noites de ataques.
O objetivo da ofensiva, afirmou o Comando Central dos EUA em comunicado, era retaliar ataques feitos pelo Irã a embarcações. A Guarda Revolucionária iraniana confirmou que disparou tiros de advertência e alertou:
"Várias embarcações tentaram seguir uma rota não autorizada e ignoraram nossos avisos e sinais. Uma embarcação que comprometeu a segurança marítima ao desativar seus sistemas foi atingida por tiros de advertência e detida", declarou a Guarda Revolucionária, acrescentando: "O Estreito de Ormuz permanecerá fechado até segunda ordem e até a conclusão das operações dos EUA na região. Nenhuma embarcação terá permissão para passar".
Trump diz que Irã concordou com acordo, abrindo mão de armas nucleares, antes de ataque de drone no Estreito de Ormuz
EUA lançam novos ataques contra o Irã
Neste domingo (12), os Estados Unidos realizaram uma nova rodada de ataques contra o Irã. Segundo os militares americanos, o objetivo é continuar degradando a capacidade do país de atacar embarcações que transitam por Ormuz.
Em resposta à ação, Teerã reagiu com ataques contra Bahrein, Kuwait, Catar, Jordânia e Omã — países da região que abrigam instalações militares americanas ou têm papel estratégico no tráfego marítimo.
“A era dos acordos unilaterais acabou”, escreveu Mohammad Bagher Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano e um dos principais negociadores do país. “Nós dissemos: cumpra sua palavra ou pague o preço. A realidade está batendo à porta".
Entenda a sequência de ataques