Grupo do CV que monitorava polícia em rios do AM trabalhava por 'escala' e recebia R$ 100 por plantão, aponta investigação
27/08/2026
(Foto: Reprodução) Operação mira CV que monitorava barcos da polícia para facilitar tráfico de drogas no AM
Integrantes de uma célula do Comando Vermelho (CV) que monitorava embarcações das forças de segurança nos rios do Amazonas trabalhavam em sistema de "escala" e recebiam cerca de R$ 100 por plantão. A informação foi divulgada pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) nesta quinta-feira (27), durante a Operação Visão Noturna, que prendeu seis suspeitos e cumpriu 12 mandados de busca e apreensão.
Segundo o Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), o grupo acompanhava a movimentação de embarcações das polícias Civil e Militar em áreas da Região Metropolitana de Manaus para repassar informações a traficantes e facilitar o transporte de drogas.
De acordo com o diretor do DRCO, delegado Mário Telles, os suspeitos atuavam em esquema de plantão e eram remunerados para monitorar as ações das forças de segurança durante a noite.
📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp
As investigações apontam que o grupo utilizava câmeras instaladas com vista para o Rio Negro, na região do Educandos, na Zona Sul de Manaus, além de aplicativos de mensagens para compartilhar informações sobre a movimentação policial.
"Então, eles eram integrantes desse grupo de mensagens e conseguimos apurar hoje ainda, no cumprimento dos mandatos, que eles faziam uma espécie de escala, eles eram remunerados, acredito que era no valor de R$ 100 por noite, para passar a noite, claro, monitorando as ações das forças de segurança", disse Mário Telles.
Grupo enviava alertas para mudar rotas de embarcações com drogas
Segundo a investigação, os suspeitos monitoravam a movimentação das forças de segurança em locais como a orla de Manaus, o Furo do Paracuúba e áreas dos municípios de Iranduba e Manacapuru.
Quando identificavam embarcações da Polícia Civil ou da Polícia Militar, eles repassavam as informações em tempo real por meio de um grupo de mensagens chamado "Visão Noturna".
De acordo com a polícia, os avisos permitiam que traficantes alterassem as rotas de embarcações carregadas com drogas para evitar fiscalizações e abordagens durante o trajeto da região de fronteira até Manaus.
Além do monitoramento, os investigados também davam suporte logístico ao transporte de grandes carregamentos de drogas destinados a abastecer a facção criminosa na capital.
Agente do Departamento de Repressão ao Crime Organizado durante operação que prendeu integrantes do CV que monitoravam embarcações da polícia no AM
Divulgação/PC-AM
Investigação começou após apreensão de drogas
A operação é resultado de uma investigação iniciada após a apreensão de cerca de 4,5 toneladas de drogas em uma balsa, em fevereiro deste ano, na região de Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus.
A partir da apreensão, a polícia identificou a atuação da célula e descobriu que os integrantes recebiam ordens de líderes do Comando Vermelho, muitos deles foragidos do Amazonas.
As diligências continuam para identificar outros possíveis integrantes e esclarecer como funcionava a estrutura usada pelo grupo para monitorar as forças de segurança e apoiar o transporte de drogas.
A operação contou com o apoio de equipes do Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), Departamento de Repressão a Furtos e Roubos (DERFD), Departamento de Polícia Fluvial (Deflu), Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) e Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope).