Fantasias do maracatu rural mantêm viva tradição centenária em Pernambuco
31/01/2026
(Foto: Reprodução) Maracatu rural anima carnaval na zona da mata de Pernambuco
Os foliões em todo o Brasil já estão em contagem regressiva para a abertura do carnaval.
Na zona da mata de Pernambuco, as fantasias do maracatu rural já estão prontas e mantêm viva uma tradição centenária de agricultores e cortadores de cana.
O maracatu rural espalha o colorido tão vivo que parece acordar o canavial. Os caboclos de lança abrem caminho como guerreiros.
Preso nas costas, o surrão com os chocalhos. Nas mãos, as lanças. Sempre exibem os chapéus enfeitados e nunca deixam de vestir as golas, protegem o peito, os ombros e as costas.
A gola nasce das mãos do próprio caboclo. Kayuan mora em Condado, a 70 quikômetros do Recife. Aos 11 anos, faz parte da geração que está mantendo vivo um saber antigo.
Repórter: Quando você tá bordando, você pensa em alguém?
Kayuan Lira: Maracatu e meu avô.
Repórter: Teu avô, por quê?
Kayuan Lira: Porque comecei a bordar com ele.
Repórter: Qual foi a gola mais bonita que você já bordou?
Kayuan Lira: Uma estrela e uma flor.
"Quando a gente transmite essa cultura para essas crianças, a gente vai fortalecendo a cultura e também fazendo com que ela não morra. Ela vai se perpetuar de pai pra filho, de filho pra outros filhos, e assim sucessivamente", diz Nice Teles, dona do Maracatu Estrela de Ouro do Condado.
Aos poucos, as lantejoulas coloridas e as miçangas miudinhas vão se transformando em desenhos que dão vida a uma gola completa. É um trabalho demorado, delicado que só leva dias e pouca gente faz com tanto capricho.
É como se fosse uma missão desempenha com muito prazer.
"O caboclo fica mais bonito, fica mais cheio de brilho pro povo olhar", conta o bordador Leandro Pereira.
Repórter: E quando você as golas prontas que você trabalhou, como você se sente?
"Coração fica batendo a mil", diz o bordador.
Nos desfiles, a gola representa uma armadura sagrada que protege o caboclo e protege o caminho. Uma tradição que não se explica, se sente.
"Já tô sentindo e me arrepiando todinho, já sentindo a emoção e o cheiro do Carnaval que já tá próximo", mostra o bordador Raul Silva.
Repórter: Se sente forte quando veste a gola?
"Com certeza. A energia é surreal, surreal de verdade. É o ano todo trabalhando pra ficar três dias de Carnaval, quando se bota a fantasia, a emoção é total", responde.
Fantasias do maracatu rural mantêm viva tradição centenária em Pernambuco
Jornal Nacional