Estudo da Câmara do DF indica 'dilapidação do patrimônio público' em projeto de socorro bilionário ao BRB

  • 01/03/2026
(Foto: Reprodução)
Caso Master: Justiça bloqueia R$ 376,4 milhões em ações do BRB A Consultoria Legislativa (Conlegis) da Câmara Legislativa do Distrito Federal um estudo sobre o projeto de lei que autoriza o governo do DF a oferecer nove imóveis públicos como garantia para um empréstimo bilionário a ser tomado pelo Banco de Brasília (BRB). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. De acordo com o documento, caso a proposta seja aprovada, há o risco de "dilapidação do patrimônio público". O estudo aponta que há uma "extensa lista de fragilidades" no projeto de lei, como ausência de documentos, relatórios e informações estratégicas que possam viabilizar uma análise sobre as possíveis repercussões orçamentários e financeiras. "A medida pode resultar, na prática, em transferência relevante de riqueza pública sem adequada mensuração, o que contraria o princípio da prudência fiscal", diz o documento. Fachada do BRB Reprodução/TV Globo A recomendação da Conlegis é de que a Câmara Legislativa solicite mais informações ao governo sobre a "estimativa de impacto fiscal, com limites e condicionantes claros, com avaliação patrimonial consolidada e com mecanismos reforçados de transparência e controle". O projeto foi encaminhado à CLDF na terça-feira (24). A expectativa do governo era de que ele fosse votado e aprovado no mesmo dia, mas, devido às lacunas no texto, a análise foi adiada para a próxima semana. O estudo técnico sobre a proposta foi encomendado à Consultoria Legislativa pelos deputados Fábio Félix (PSOL), Jorge Vianna (PSD) e Pepa (PP). Fragilidades No estudo, a Conlegis afirma que o projeto de lei tem "fragilidades de governança fiscal e transparência". O texto considera a proposta "inadmissível". Entre os pontos em destaque, estão as ausências de: Estimativa do impacto orçamentário-financeiro; Declaração que mostre que o projeto tem adequação orçamentária e financeira com a Lei Orçamentária Anual, além da compatilidade com o plano Plurianual e com a Lei de Diretrizes Orçamentárias; Estimativa do montante de potencial de aportes; Avaliação econômico-financeira dos imóveis; Dotação orçamentária específica na Lei Orçamentária de 2026; Avaliação sobre metas fiscais; Avaliação sobre o risco de descapitalização patrimonial do DF; Avaliação do imácto patrimonial nas empresas que usam os imóveis. O estudo reconhece que o projeto tem o objetivo legítimo de fortalecimento institucional do BRB, mas ressalta que ele não apresenta "robustez suficiente" do ponto de vista da responsabilidade fiscal. Por isso, ele foi considerado inadequado. LEIA TAMBÉM: Saiba o que o BRB poderá fazer com os imóveis oferecidos por Ibaneis Distritais acionam MP e governo do DF para barrar Daniel Vorcaro em reunião de acionistas do BRB BRB precisa de até R$ 6,6 bilhões em empréstimos, indica governo do DF ao oferecer lotes como garantia BRB quer elevar capital em R$ 8,8 bilhões e emitir até 1,67 bilhão de ações para reforçar patrimônio Celina diz que imóveis não serão vendidos Celina Leão diz que imóveis no DF não serão vendidos para socorrer BRB A vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou nesta quarta-feira (27), que o projeto enviado à CLDF não prevê a venda de imóveis públicos. No entanto, a proposta prevê expressamente a possibilidades de alienação (venda) dos bens. Celina disse que o objetivo do governo é apenas oferecer garantias para um eventual empréstimo que o governo precise tomar para reforçar o balanço do banco. "O projeto de lei traria um fundo, um arcabouço de R$ 2 bilhões, somente em validação para empréstimo. Porque você não pode pegar empréstimo sem dar um aval ou uma garantia. Isso não seria vendido em nenhum momento", declarou. Apesar da declaração, o texto em tramitação na Câmara Legislativa prevê as duas possibilidades – e algumas outras outras, para o uso dos imóveis. Proposta do BRB aos acionistas GDF muda o projeto de socorro ao BRB O Banco de Brasília (BRB) pretende emitir até 1,67 bilhão de ações ordinárias, nas próximas semanas, para captar dinheiro no mercado e reforçar o patrimônio da instituição. Com essa emissão, o BRB espera aumentar o próprio capital social do banco em, no mínimo R$ 529 milhões – e, no máximo, R$ 8,86 bilhões de reais. Hoje, o capital social do BRB é de R$ 2,34 bilhões. Ou seja: se conseguir captar o montante máximo, o BRB passaria a um capital de R$ 11,2 bilhões – cifra quase quatro vezes maior que o valor atual. ➡️Todos esses números constam na proposta que será levada pelo banco à Assembleia Geral Extraordinária de acionistas, convocada para o dia 16 de março. ➡️Ou seja: todo esse plano ainda precisa ser aprovado pelos investidores do banco – incluindo o governo do Distrito Federal, que é acionista controlador e detém 71,92% do capital do banco do BRB. Garantia em empréstimos Enquanto isso, o governo do DF também tenta reforçar o patrimônio do BRB com outra medida: a entrega de nove imóveis públicos de grande porte, que poderiam ser vendidos ou usados como garantia em um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões. Essa mecânica ainda precisa ser aprovada pela Câmara Legislativa do DF, mas vem enfrentando resistência da oposição ao governo Ibaneis Rocha (MDB) e até de aliados do governador. BRB espera aprovação do projeto de socorro em até três semanas O empréstimo, que pode inclusive ser tomado junto ao Fundo Garantidor de Crédito, é uma das hipóteses citadas pelo BRB no plano "preventivo" entregue ao Banco Central há duas semanas, segundo apurou o g1. O objetivo é garantir que o banco permaneça sólido e não gere desconfianças no mercado. Ou seja: evitar abalos à credibilidade do BRB. ⬆️ Com essa garantia do governo do DF, o BRB teria condições de captar recursos em condições mais favoráveis – com juros menores, por exemplo – para dar mais consistência ao balanço patrimonial do banco, abalado após as transações mal-sucedidas para a compra do Banco Master, nos últimos anos. ⬇️ Em compensação, caso não consigam honrar o empréstimo no futuro, o BRB e o governo do DF podem se ver obrigados a alienar (vender) esses imóveis para pagar o compromisso assumido. Quais imóveis o GDF quer entregar? Confira a lista: SIA, Trecho Serviço Público, Lote F – área pertencente à Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb) SIA, Trecho Serviço Público, Lote G SIA, Trecho Serviço Público, Lote I SIA, Trecho Serviço Público, Lote H SIA, Trecho Serviço Público, Lote C – pertencente à CEB; SIA, Trecho Serviço Público, Lote B – pertencente à Novacap; Centro Metropolitano, Quadra 03, Conjunto A, Lote 01, em Taguatinga – é a sede do Centro Administrativo do DF, abandonada há mais de uma década; "Gleba A" de 716 hectares, pertencentes à Terracap – o documento não diz o endereço com precisão. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

FONTE: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2026/03/01/estudo-da-camara-do-df-indica-dilapidacao-do-patrimonio-publico-em-projeto-de-socorro-bilionario-ao-brb.ghtml


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