Escritor que vive na estrada em uma Kombi passa por Cabo Frio e doa livros a bibliotecas públicas
17/03/2026
(Foto: Reprodução) Adriano Hordina, de 37 anos, com seu livro; escritor ficou encantado com a história de Cabo Frio.
Arquivo Pessoal / Adriano Hordina
O escritor, tatuador e criador de conteúdo Adriano Hordina, que vive na estrada em uma Kombi há cinco anos, esteve em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (16), onde realizou a doação de exemplares do livro “Diário de um Neurodivergente” para bibliotecas públicas do município. O autor também pretende ampliar a iniciativa para bibliotecas de toda a Região dos Lagos.
A iniciativa faz parte de um projeto do autor que destina todo o valor arrecadado com as vendas para a impressão de novos livros, que são distribuídos gratuitamente. A obra também está disponível de forma gratuita em áudio.
O escritor é formado em Direito, História, Geografia e Filosofia, e construiu sua trajetória fora dos padrões convencionais. Vivendo na estrada e em constante movimento, o autor transforma experiências pessoais em arte, transitando por diferentes linguagens, como a escrita, a tatuagem, a produção de vídeos e a participação em festivais culturais.
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Durante a passagem por Cabo Frio, Adriano afirmou ter se sentido profundamente conectado à cidade. Segundo ele, a arquitetura local, que mistura elementos históricos com o urbano contemporâneo, despertou o desejo de retornar para conhecer mais profundamente a história do município.
“Não quero apenas ver essa história de forma passiva, mas também contribuir, deixando a minha própria história através do meu livro nas bibliotecas públicas. Cada pessoa vibra de uma forma, e eu quero que a minha vibração também fique na cidade”, destacou.
O livro “Diário de um Neurodivergente” é uma autobiografia que ultrapassa o relato pessoal e se propõe como um espaço de identificação para leitores que nunca se sentiram representados.
A obra aborda a infância marcada pelo sentimento de não pertencimento, dificuldades no ambiente escolar e experiências intensas que moldaram a forma do autor perceber o mundo.
Entre os principais temas do livro estão a neurodivergência, a construção da identidade fora dos padrões, a solidão, o pertencimento, a arte como forma de sobrevivência e o autoconhecimento como caminho de liberdade.
Ao longo da narrativa, vivências que poderiam ser vistas como fragilidades são transformadas em consciência, linguagem e criação.
Um dos diferenciais da obra, segundo o autor, é a forma como a diferença é apresentada.
“Ela não aparece como erro, mas como uma linguagem própria. O livro não tenta encaixar o leitor em um modelo, mas abre espaço para que cada pessoa reconheça sua própria forma de existir”, explica.
Além da versão impressa, “Diário de um Neurodivergente”, no link e também está disponível gratuitamente em formato de audio livro, narrado pelo próprio autor. Adriano conta que a ideia foi ampliar o acesso ao conteúdo, especialmente para mães e familiares.
“Quis que qualquer mãe pudesse ter acesso, nem que fosse ouvindo o livro enquanto cuida do filho. O livro é um presente para quem nasceu diferente, mas também um portal para que uma mãe entenda que a diferença não é uma distância, e sim uma outra forma de conexão”, afirma.
Adriano Hordina já adiantou que pretende retornar ao Rio de Janeiro em outras oportunidades para ampliar a distribuição gratuita da obra em bibliotecas públicas e continuar o diálogo com leitores por meio da arte e da literatura.
Kombi onde mora o escritor por 5 anos.
Arquivo Pessoal / Adriano Hordina