Entenda golpe que tentou desviar quase R$ 900 milhões da herança do fundador do grupo Unip/Objetivo

  • 31/03/2026
(Foto: Reprodução)
Operação mira grupo por tentar desviar quase R$ 900 milhões Uma investigação do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil revelou nesta terça-feira (31) que um grupo criminoso criou uma dívida imobiliária fictícia e tentou desviar quase R$ 900 milhões da herança do empresário João Carlos Di Genio. Fundador do grupo Unip/Objetivo, um dos maiores grupos de educação privada no país, Di Genio morreu aos 82 anos, em São Paulo, em fevereiro de 2022. O empresário deixou como herança um patrimônio bilionário a ser partilhado em inventário. Ao todo, nove pessoas são investigadas por crimes como estelionato, falsificação de documentos, fraude processual e organização criminosa e foram alvo de mandados de busca e apreensão e de prisão nesta manhã. Segundo a investigação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), o esquema era extremamente sofisticado e envolvia a fabricação de negócios imobiliários inexistentes, falsificação de assinaturas e a manipulação de procedimentos arbitrais para induzir o Poder Judiciário ao erro. 🔎 A arbitragem é uma forma alternativa de resolver conflitos sem recorrer ao Poder Judiciário. Em vez de um juiz, quem decide a disputa é um árbitro, escolhido pelas próprias partes. Ela é bastante usada em disputas empresariais, contratuais e societárias — especialmente quando se busca mais rapidez e sigilo. Os investigados tentaram aplicar o golpe três vezes contra o espólio do fundador do grupo Unip/Objetivo, tentando enganar tanto os herdeiros quanto a Justiça de São Paulo. Foto de arquivo de 02/10/2001 de João Carlos Di Genio, fundador do grupo Unip/Objetivo, que morreu neste sábado, 12, aos 82 anos, de causas naturais. Ele deixa esposa e três filhos. J.F.DIORIO/ESTADÃO CONTEÚDO Criação de negócio imobiliário Para aplicar o golpe milionário, o grupo criminoso criou duas pessoas jurídicas de fachada: Colonizadora Planalto Paulista Ltda.: empresa representava a suposta vendedora de 448 imóveis em Piraju, no interior paulista, e era a entidade que realizava as cobranças judiciais e extrajudiciais baseadas em documentos falsificados. Ela foi usada para lastrear o golpe, simulando um negócio imobiliário de R$ 635 milhões (valor atualizado para R$ 845 milhões posteriormente). Câmara Arbitral Fórum de Negócios e Finanças Internacionais e Nacionais por Arbitragem e Mediação Ltda. (Fonamsp): funcionava como um simulacro de tribunal, utilizada para "fabricar" títulos executivos judiciais sem o crivo inicial da Justiça comum. Liderado por sócios da empresa Colonizadora Planalto Paulista, o grupo criminoso forjou documentos datados de novembro de 2021 — apenas três meses antes da morte de Di Genio — para simular a compra e venda de imóveis em Piraju, segundo a investigação. No contrato de compra e venda, a perícia identificou que as assinaturas do fundador do grupo Unip/Objetivo e de seu procurador foram falsificadas por meio de técnicas de decalque e montagem. Também foi forjada uma nota promissória no valor de R$ 635 milhões e, assim, Di Genio passou a figurar como devedor. Tentativas de cobrança Após a morte do empresário, os investigados iniciaram as tentativas de receber o valor milionário. Primeiro, em agosto de 2024, notificaram o espólio exigindo o pagamento dos R$ 635 milhões, conforme a investigação do Gaeco. Contudo, o suposto procurador de Di Genio — que teve a assinatura falsificada pelos estelionatários — negou ter conhecimento do negócio ou das assinaturas. Esta foi, inclusive, uma das pistas que levou os promotores de Justiça a descobrirem a tentativa de golpe. Diante da negativa extrajudicial, os investigados tentaram habilitar o crédito diretamente no processo de inventário. Embora tenham conseguido uma reserva temporária de bens, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça devido aos fortes indícios de fraude. João Carlos Di Genio é um dos fundadores no grupo Unip/Objetivo Marcelo Gaudio/g1 Campinas e região Em mais uma tentativa de desviar a herança, o grupo criou a Câmara Arbitral Fonamsp para emitir um título executivo judicial sem passar pelo crivo inicial da Justiça comum. Os suspeitos inseriram de forma fraudulenta uma cláusula de arbitragem em um termo aditivo contratual forjado. Eles também falsificaram a assinatura do porteiro do edifício da inventariante, a viúva do Di Genio, para simular que as intimações da câmara haviam sido entregues. Por fim, uma das integrantes do grupo se passou por juíza arbitral e proferiu uma sentença condenando o espólio ao pagamento da dívida. Em seguida, o grupo ingressou com um pedido de cumprimento de sentença na Justiça comum, atualizando o valor da suposta dívida para R$ 845.873.009,65. Histórico de falsificações Luiz Teixeira da Silva Junior aparece em foto ao lado de Marçal usando um jaleco com o símbolo do Hospital Albert Einstein. Em nota, o Hospital afirmou que "o profissional em questão nunca atuou em suas unidades ou em qualquer outra atividade administrada pelo Einstein". Reprodução/Redes sociais As investigações apontaram que os principais envolvidos na tentativa de golpe possuem longo e consistente histórico de práticas ilícitas, especialmente relacionadas à falsificação de documentos e de assinaturas, como é o caso do empresário Luiz Teixeira da Silva Junior. "O que demonstra um padrão de atuação voltado à fraude, à dissimulação e à instrumentalização de expedientes documentais para obtenção de vantagens indevidas e para a criação artificial de situações jurídicas favoráveis aos seus interesses", afirmam os promotores. O empresário Luiz Teixeira da Silva Junior é apontado como uma das figuras de comando da organização criminosa e o principal beneficiário econômico do esquema. Ele já havia sido investigado anteriormente por suspeita de falsificar um laudo médico sobre uso de drogas para atingir o então candidato à Prefeitura de São Paulo Guilherme Boulos (PSOL) nas eleições de 2024. Na época, o exame falso foi compartilhado pelo ex-coach Pablo Marçal que também estava na disputada pelo cargo de prefeito. Em fevereiro, ele foi condenado pela Justiça a pagar R$ 100 mil de indenização a Boulos por disseminar informações falsas.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/03/31/entenda-golpe-que-tentou-desviar-quase-r-900-milhoes-da-heranca-do-fundador-do-grupo-unipobjetivo.ghtml


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