Dólar abre sob impacto da guerra no Oriente Médio e à espera do PIB brasileiro
03/03/2026
(Foto: Reprodução) Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar abre em alta nesta terça-feira (3), refletindo os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os mercados globais e a divulgação de indicadores econômicos no Brasil. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, inicia o pregão às 10h.
📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça
▶️ O Irã afirmou que fechou o Estreito de Ormuz e ameaçou incendiar navios que tentarem atravessar a rota. O anúncio, feito pela mídia estatal em nome da Guarda Revolucionária, é o mais duro desde o aviso inicial do bloqueio e foi apresentado como retaliação pela morte do aiatolá Ali Khamenei.
▶️ A declaração do Irã sobre o fechamento da principal rota do petróleo no mundo impulsionou uma forte alta da commodity e acendeu o alerta nos mercados globais. Nesta terça-feira, os preços do petróleo seguem em trajetória de alta, com o barril registrando avanço superior a 7%.
▶️ No Brasil, o destaque fica por conta da didvulgação do PIB do 4º trimestre de 2025 e consolidado do ano passado, que será divulgado às 9h pelo IBGE. A projeção é de que a economia brasileira tenha crescido cerca de 0,1% no trimestre, fechando o ano com alta próxima de 2,3%.
▶️ Ainda nesta terça-feira, às 11h, serão divulgados os dados de criação de empregos formais no Brasil em janeiro, pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar
a
Acumulado da semana: +0,62%;
Acumulado do mês: +0,62%;
Acumulado do ano: -5,88%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: +0,28%;
Acumulado do mês: +0,28%;
Acumulado do ano: +17,49%.
Petróleo em disparada
Os preços do petróleo e do gás dispararam e as bolsas fecharam em queda nesta segunda-feira (2) por causa do conflito no Oriente Médio, desencadeado pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e pela resposta de Teerã.
O setor mais afetado foi o de aviação e turismo, cujas empresas registraram perdas expressivas.
O preço do barril de Brent chegou a subir quase 14%, enquanto o do West Texas Intermediate (WTI) avançou 12% na abertura dos mercados, após o ataque que matou o guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e outros dirigentes do país.
O conflito regional afeta o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo.
O preço do gás na Europa disparou mais de 20%, já que a guerra ameaça as exportações de gás natural liquefeito da região do Golfo, especialmente as vendas do Catar.
O contrato futuro do TTF holandês, referência europeia, chegou a subir mais de 40%, a 45,105 euros.
🛢️ A forte alta do petróleo beneficia as empresas do setor porque elas vendem a commodity a preços internacionais. Quando o barril sobe, a receita dessas companhias tende a aumentar, o que melhora a perspectiva de lucro e impulsiona suas ações na bolsa.
No caso do Brasil, as ações da Petrobras subiram mais de 4%, ajudando a reduzir a baixa do Ibovespa, que acompanhava as quedas pela manhã antes de inverter o sinal.
Mercados globais
Em Wall Street, os índices das bolsas americanas operam no vermelho antes da abertura do mercado, após a intensificação da guerra no Oriente Médio aumentar a preocupação dos investidores com os efeitos do petróleo mais caro sobre a atividade econômica e a inflação.
Por volta das 7h (horário de Brasília), o futuro do Dow Jones caía cerca de 815 pontos, o equivalente a 1,7%.
O S&P 500 recuava aproximadamente 120 pontos, também com perda de 1,7%, enquanto o Nasdaq 100 liderava as quedas, com baixa de cerca de 570 pontos, ou 2,3%, pressionado pela maior exposição das empresas de tecnologia ao cenário de maior aversão ao risco.
Os mercados europeus caíram forte nesta terça, também pressionados pela alta do petróleo e do gás causada pela guerra, o que elevou o temor de que o conflito prolongado encareça combustíveis, transporte e produtos em geral, prejudicando a economia
Com a energia mais cara, investidores ficaram mais cautelosos e venderam ações. Pela manhã, as principais bolsas da Europa operavam em queda: Paris recuava 2,15%, Frankfurt caía 2,78%, Londres perdia 2,02%, Milão tinha baixa de 3,21% e Madri caía 3,56%.
Já as bolsas da Ásia fecharam em queda nesta terça-feira, diante do agravamento da guerra no Oriente Médio, que aumentou a aversão ao risco entre os investidores.
Na China, o índice de Xangai recuou 1,43%, aos 4.122 pontos, enquanto o CSI300, que reúne as maiores empresas listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 1,54%, para 4.655 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 1,12% e terminou o dia em 25.768 pontos.
No Japão, o Nikkei despencou 3,1%, aos 56.279 pontos, e na Coreia do Sul o Kospi teve queda acentuada de 7,24%, fechando em 5.791 pontos. Em Taiwan, o Taiex recuou 2,20%, para 34.323 pontos, enquanto na Austrália o S&P/ASX 200 caiu 1,34%, aos 9.077 pontos.
A única exceção foi Cingapura, onde o Straits Times subiu 0,53%, para 4.916 pontos.
O dólar opera cotado acima de R$ 6,00 no mercado à vista na manhã desta quarta-feira, 9, estendendo ganhos frente ao real pelo quarto pregão consecutivo, diante do acirramento da guerra comercial entre os EUA e a China.
Adriana Toffetti/Estadão Conteúdo