Dentista alvo do MP por 'plantões fantasmas' em RR recebeu mais de R$ 94 mil em um único mês
05/03/2026
(Foto: Reprodução) Dentista é alvo de ação por estudar no AM e receber quase R$ 800 mil sem trabalhar em RR
A cirurgiã-dentista Juliene Monauer Amorim, processada pelo Ministério Público (MP) de Roraima por suspeita de receber pagamentos irregulares enquanto cursava medicina em Manaus (AM) chegou a receber mais de R$ 94 mil em um único mês.
O valor total de R$ 94.561,48 foi pago a Juliene em abril de 2023, período em que ela já frequentava as aulas presenciais e diárias de um curso de medicina em Manaus (AM), segundo o MP.
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O g1 tenta contato com a defesa de Juliene Monauer Amorim. Também solicitou posicionamento do governo de Roraima e aguarda resposta.
Segundo a ação civil pública do órgão, naquele mês a servidora informou a realização de uma carga horária que o órgão classificou como "humanamente impossível de conciliar". A ficha financeira da dentista detalha que o montante bruto de mais de R$ 94 mil foi composto por:
Vencimento temporário: R$ 3.917,62;
Insalubridade: R$ 783,52;
Função gratificada: R$ 1.410,34;
Plantões extras: Mais de R$ 88 mil divididos em quatro pagamentos (R$ 9.150,00; R$ 21.350,00; R$ 36.600,00 e R$ 21.350,00).
O MP aponta ser "cristalina a incompatibilidade" de horários entre a presença diária na faculdade de medicina no estado vizinho e a quantidade de plantões extras declarados nas unidades de saúde de Rorainópolis e Boa Vista, o que configura enriquecimento ilícito por parte da servidora.
Dentista assinava os próprios plantões
A investigação do Ministério Público revelou que o cargo de diretora-geral do Hospital Regional Sul Ottomar de Souza Pinto, em Rorainópolis era fundamental para o esquema. Isso porque, por exercer o cargo de chefia na unidade, Juliene tinha controle direto sobre os Mapas de Produção, ferramenta usada para o controle do fluxo de plantões.
Existem documentos assinados pela própria dentista na condição de diretora entre setembro de 2022 e abril de 2023, que atestam que ela estava escalada para plantões em dias e horários incompatíveis com frequência presencial dela na faculdade em Manaus.
Por ter o controle sobre a documentação, o MP atribui a ela a responsabilidade direta por inserir as informações falsas de frequência nos sistemas.
Dentista Juliene Monauer Amorim era diretora no hospital de Rorainópolis
Sesau/Reprodução/Arquivo
Alvo de ação do MP
A cirurgiã-dentista Juliene Monauer Amorim, contratada pelo governo de Roraima, foi processada pelo Ministério Público por suspeita de receber quase R$ 800 mil em pagamentos irregulares enquanto cursava medicina presencialmente em Manaus (AM).
A ação foi protocolada nesta segunda-feira (2) pela Promotoria de Justiça de Rorainópolis. Segundo o MP, Juliene Monauer recebeu no total R$ 799.386,47 de forma indevida entre 2023 e 2024, por meio de fraude nos registros de frequência, remuneração e produtividade.
Na ação, o órgão pede, em caráter de urgência, o bloqueio dos bens de Juliene no mesmo valor, que é equivalente ao prejuízo estimado aos cofres públicos. Se condenada, ela poderá perder o cargo, ter os direitos políticos suspensos por até 12 anos e ficar proibida de contratar com o poder público ou receber benefícios fiscais pelo mesmo período.
Dois vínculos em RR
A dentista tinha dois vínculos ativos com o governo de Roraima. Um deles em uma unidade de saúde de Boa Vista e outro como funcionária temporária no Hospital Regional Sul Governador Ottomar de Souza Pinto, em Rorainópolis, onde realizava plantões.
O problema, segundo o MP, é que em março de 2023 ela passou a cursar medicina em uma faculdade privada em Manaus. Para o órgão, a distância entre a capital amazonense e os municípios onde estava lotada em Roraima torna impossível a conciliação entre as aulas presenciais diárias com os plantões assumidos nas unidades de saúde.
Durante as investigações, a profissional afirmou que cumpria os plantões e que os registros de frequência estariam no setor de Recursos Humanos. Mas, após requisição formal do MP, o próprio RH do hospital informou que ela não comparecia ao serviço.
Hospital Regional Sul Governador Ottomar de Souza Pinto, em Rorainópolis (RR).
Yara Ramalho/g1 RR/Arquivo
Em depoimento, a dentista disse que trabalhava apenas nos fins de semana e feriados para conciliar com os estudos. As escalas apresentadas, porém, mostravam plantões em dias úteis e em horários incompatíveis com a frequência acadêmica em Manaus.
Juliene Monauer Amorim foi notificada três vezes para apresentar documentos que comprovassem a regularidade, mas não apresentou nenhum.
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