De guerra à entressafra: o que explica a maior alta mensal da cesta básica em Campinas

  • 18/04/2026
(Foto: Reprodução)
Tomate, leite e feijão registraram as maiores altas em março na pesquisa que aponta o custo da cesta básica em Campinas (SP), elaborada pelo Observatório PUC-Campinas Reprodução/EPTV Dos impactos da guerra no Oriente Médio, em especial no preço do diesel, à entressafra de alguns produtos agrícolas, uma combinação de elementos ajuda a explicar por que Campinas (SP) registrou a maior alta mensal no preço da cesta básica desde o início da série histórica do Observatório PUC-Campinas, em setembro de 2022. Em março, o preço da cesta básica na metrópole disparou 7,12% e chegou a R$ 831,77, um aumento absoluto de R$ 55,31 em relação a fevereiro, quando a pesquisa apontou o custo de R$ 776,46 para a alimentação básica. O economista Pedro de Miranda Costa, do Observatório PUC-Campinas, explica que essa maior variação também tem influência da queda inesperada no valor da cesta em fevereiro, uma vez que o cenário era de uma tendência de alta dos alimentos em 2026. Apesar disso, há um impacto direto e indireto nos preços por conta dos conflitos no Oriente Médio. O direto tem relação com a alta do diesel, que influencia no custo do transporte rodoviário, relevante na composição dos preços dos alimentos. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Pedro usa uma analogia para explicar como o custo do frete tem essa influência no preço dos produtos alimentícios. "Para você transportar um quilo de batata e um quilo de computador, o custo do transporte é basicamente o mesmo. Só que um quilo de computador vale algumas dezenas de milhares de reais. E um quilo de batata vale poucos reais. Então, o impacto relativo do transporte no preço do produto é maior", destaca o economista. Guerra no Oriente Médio faz governo brasileiro zerar impostos sobre diesel e taxar exportações de petróleo Jornal Nacional/ Reprodução Apesar disso, e usando com ponderação a palavra "especulação", Pedro de Miranda Costa acredita que o conflito iniciado no Irã pode ter gerado uma antecipação de alta dos preços pelo mercado. "Em um jogo de mercado normal, você apostar em reajustar o seu preço envolve um risco. Porque pode ser que o seu concorrente não reajuste e leve vantagem. Agora, quando você está numa tendência de alta, você fica mais à vontade pra apostar nesse aumento", compara. Não é só a guerra que explica O economista da PUC lembra que alguns dos produtos da cesta têm influência significativa na composição do preço, como é o caso do tomate, que registrou alta de 51,98% no mês. “Ele é um item que oscila muito, e juntou o fato de que essa época do ano é uma época de entressafra, e com uma tendência de alta, ele disparou. O feijão e o leite também sofreram com isso", pontua Costa. Outro item com peso significativo no bolso dos consumidores é a carne, que representa cerca de 30% do total. "Ela é sensível aos preços internacionais, já que é um produto exportável", ressalta. Por outro lado, o professor viu como importante as reduções de alguns dos itens analisados, como café, que vinha com uma alta acumulada importante, e a consolidação da curva de queda do arroz. Veja, abaixo, a variação dos preços em março na cidade: 📊 Cesta x salário mínimo A pesquisa também compara o custo dos alimentos com o salário mínimo. Considerando o valor de R$ 1.621,00, em vigor desde janeiro, a cesta básica em Campinas compromete 51,3% do valor. 👨‍👩‍👧‍👦 Como a avaliação da cesta leva em conta o necessário para alimentar um trabalhador por um mês, ao considerar uma família de quatro pessoas, sendo dois adultos e duas crianças, a pesquisa aponta que o necessário seriam três cestas básicas. 💸 Nesse caso, o custo somente com alimentação seria de R$ 2.495,31. 🔍 A cesta pesquisada Segundo a PUC, são aferidos valores de 13 produtos alimentícios e suas quantidades, os mesmos definidos em decreto-lei em 1938. Na ocasião, a justificativa era que tais produtos garantiriam, no período de um mês, uma boa qualidade de vida para um trabalhador adulto. A avaliação do Dieese respeita os hábitos alimentares locais e, por isso, o Observatório PUC analisou as quantidades previstas nas avaliações da região Sudeste do Brasil. São eles: Açúcar: 3 kg Arroz: 3 kg Café: 600g Farinha: 1,5 kg Feijão: 4,5 kg Leite: 7,5 litros Manteiga: 750g Óleo: 750ml Banana: 90 unidades Batata: 6 kg Carne: 6 kg Pão francês: 6 kg Tomate: 9 kg A pesquisa O Observatório PUC-Campinas passou a monitorar os valores da cesta básica em Campinas desde setembro de 2022 e os dados são divulgados mensalmente. A metodologia é a mesma utilizada pelo Dieese. 🔍 Para chegar ao valor da cesta básica em Campinas, os pesquisadores apuraram os custos dos produtos em 28 estabelecimentos, todos em supermercados em bairros ao redor do perímetro do centro da cidade. 📅 As pesquisas são realizadas entre a segunda e terceira semana do mês, sempre no mesmo dia, para não haver influência sobre promoções em diferentes estabelecimentos. VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/04/18/de-guerra-a-entressafra-o-que-explica-a-maior-alta-mensal-da-cesta-basica-em-campinas.ghtml


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