Caos no Oriente Médio: no terceiro dia de confrontos, Irã lança drones contra a maior refinaria de petróleo da Arábia Saudita
02/03/2026
(Foto: Reprodução) Os Estados Unidos anunciaram que seis soldados americanos morreram em confrontos no Irã; 18 militares ficaram gravemente feridos.
São os sons de uma guerra que entra no terceiro dia. No Kuwait, um avião militar americano apareceu em queda livre. E, de repente, por trás da fumaça, surge o piloto de paraquedas. Ele foi alvo de fogo amigo, resultado de uma confusão: os militares do Kuwait, aliado dos Estados Unidos, acharam que se tratava de um avião iraniano. No total, derrubaram por acidente três caças americanos. Todos os seis tripulantes conseguiram se ejetar e sobreviveram.
Em Teerã, capital iraniana, novas explosões. Quem olha para o céu enxerga no horizonte a fumaça preta. No chão, os destroços. Além de uma estação de polícia, um hospital da cidade também ficou destruído. Até agora, o total de mortos no Irã chegou a 555, segundo o Crescente Vermelho – 180 em uma escola primária de meninas no sul do país. Os ataques atingiram o território de norte a sul, muito além da capital Teerã. O Crescente Vermelho fala em 131 municípios atingidos.
A tática americana é atacar a principal arma do inimigo: os mísseis. O governo declarou que atingiu mais de 1,2 mil alvos desde sábado (28). Já a principal estratégia de defesa do Irã neste momento é contra-atacar. Até agora, a resposta iraniana mirou oito países do Oriente Médio, além de Israel. São países que têm bases com militares americanos. Mas os ataques também estão atingindo alvos civis. Oito pessoas morreram nesses países e dez em Israel. A maioria dos mísseis lançados pelo Irã foi abatida, mas um deles caiu sobre Beersheba, em território israelense, nesta segunda-feira (2). Dezenove pessoas ficaram feridas.
“Eu estava em casa, e tudo balançou. As janelas quebraram, o concreto foi para o chão, voou tudo”.
Terceiro dia de confrontos no Oriente Médio
Jornal Nacional/ Reprodução
Em Jerusalém, as sirenes voltaram a tocar. Alguns correram, outros se abaixaram enquanto observavam a perseguição aos mísseis no céu. É um conflito travado no ar.
Na Arábia Saudita, destroços de drones iranianos causaram um incêndio na principal refinaria do país, uma das maiores do Oriente Médio. Funcionários fugiram às pressas e parte do complexo petroleiro foi fechado por precaução.
O Catar também foi atacado e declarou ter abatido dois caças iranianos. O país interrompeu a produção de gás natural nesta segunda-feira (2). É que, além dos bombardeios em casa, a rota para escoar a produção - o Estreito de Ormuz - continua fechada. A Guarda Revolucionária do Irã disse que vai incendiar qualquer embarcação que tente atravessar.
Em Dubai, nos Emirados Árabes, o aeroporto internacional retomou parcialmente as operações, mesmo com novos ataques. Esse é um dos maiores polos de tráfego aéreo do mundo e chegou a ser atingido no fim de semana. Por isso, ficou fechado. O governo local fala em 60 feridos nos ataques iranianos.
Terceiro dia de confrontos no Oriente Médio
Jornal Nacional/ Reprodução
Mesmo bombardeando países por todo o Oriente Médio, o governo iraniano declarou nesta segunda-feira (2) que não está em guerra com as nações da região e insistiu que os alvos são militares americanos. O ministro das Relações Exteriores do Irã cobrou que os governos do Golfo façam pressão para que os Estados Unidos interrompam a guerra.
O regime dos aiatolás tenta mostrar que ainda tem cartas na manga. A agência estatal divulgou imagens de drones e lançadores de mísseis em túneis subterrâneos. O chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, disse nesta segunda-feira (2) que o Irã está preparado para uma guerra longa e negou que o país vá negociar com os americanos. No domingo (1º), Donald Trump chegou a dizer que a nova liderança queria o diálogo.
Para o regime dos aiatolás, é um jogo de sobrevivência. O líder supremo Ali Khamenei está morto, assim como os principais comandantes militares. Para mostrar que a transição já começou, o governo transmitiu uma reunião entre o presidente Masoud Pezeshkian, o chefe do Judiciário Gholam-Hossein e o aiatolá Alireza Arafi - ele é, por enquanto, o líder supremo interino do Irã. Juntos, eles formam o conselho que vai comandar o processo de escolha do novo líder supremo.
O mundo ainda tenta calcular o tamanho, a duração e as consequências dessa guerra, que, segundo os dois lados, só está começando.
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