60 anos de Chico Science: o cientista dos ritmos que levou o mangue do Recife para o mundo

  • 13/03/2026
(Foto: Reprodução)
Trecho do documentário Chico Science: Um Caranguejo Elétrico Antes de o mito da perna cabeluda voltar ao centro da cultura pop com o filme "O Agente Secreto" de Kleber Mendonça Filho, que recebeu quatro indicações ao Oscar, a figura já tinha sido eternizada na música pernambucana, nos anos 1990, com o primeiro álbum da banda Chico Science & Nação Zumbi, "Da Lama ao Caos". Ao cantar que o “galeguinho do Coque não tinha medo da perna cabeluda”, o artista pernambucano, que completaria 60 anos nesta sexta-feira (13), lançou o disco que se tornou um manifesto do movimento Manguebeat. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE A estética marcante, que até hoje é referenciada pelo chapéu de palha, óculos escuros e colares, era marca de Francisco de Assis França Caldas Brandão, que mais tarde receberia o apelido de Chico Science, dado por Renato L., um dos idealizadores do movimento Manguebeat. Ele nasceu em Olinda, no dia 13 de março de 1966. Pela sua inquietude e experimentação musical, a professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Luciana Mendonça, autora do livro "Manguebeat: A Cena, o Recife e o Mundo", o considera um cientista dos ritmos. "O que é mais interessante é o processo desse garoto que curtia break, que curtia música negra, que era inquieto, ouvia muitas coisas, circulava por muitos lugares, fundou várias bandas. Uma delas, Bom Tom Rádio; depois, a Loustal, que tinha já Lúcio Maia e Dengue, o núcleo harmônico que iria formar a Nação Zumbi junto com os percussionistas da Lamento Negro, Gilmar Bola 8 e Toca Ogan", conta. Para Luciana, o período anterior à formação da Nação Zumbi representa uma fase decisiva na trajetória do artista. Segundo ela, foi nesse momento que se consolidaram as referências e experiências que moldariam a identidade musical de Chico Science e a banda. "O período anterior a formação da Nação Zumbi é um período já de experimentação, de ouvir muitas coisas. Essa circulação, esse contato com as musicalidades das periferias da Região Metropolitana do Recife, acho que é muito importante para essa formação do Chico. E esse contato com a música negra, sobretudo com a música transnacional, com a Soul Music, com hip hop, enfim, todo esse processo é que vai transformar o Francisco de Assis França no Chico Science", disse. Chico Science Acervo Pessoal LEIA TAMBÉM: Letras de música e outras anotações de Chico Science são digitalizadas Valorização popular Segundo Luciana Mendonça, uma das principais características de Chico Science era a capacidade de reunir artistas e ideias diferentes. Para a professora, o músico se tornou uma figura central na articulação da cena que ficaria conhecida como Manguebeat. "Ele foi a pessoa aglutinadora da cena musical do Manguebeat. Ele quem deu o nome para cena. Ele saiu com essa tirada do Manguebeat, que depois de feito parece óbvia, porque o mangue é um uma paisagem central do Recife. (...) Ele conheceu o pessoal de de Candeias [em Jaboatão], Fred 04, Renato L.... e ele tem essa ideia de expandir mesmo. A ideia do mangue, de um ecossistema musical tão plural quanto o ecossistema natural", detalha. De acordo com Luciana, o movimento também se consolidou ao articular produções culturais que já existiam na cidade com as experimentações musicais de Chico Science. Dessa forma, a cena ganhou força e passou a dar maior visibilidade às sonoridades presentes no Recife. "Ele incorpora uma produção que já existia no Recife, por exemplo, a produção do Alto Zé do Pinho, o Devotos, que é uma banda que surge nos anos 80. Então, um monte de coisa se aglutinou em torno de Chico. Para se cena local, ele é central. Ele é o principal criador, o aglutinador. É a figura que realmente agrega e permite valorizar a pluralidade de sonoridades que existe no Recife", afirma. Outro aspecto destacado por Luciana Mendonça é a forma como o Manguebeat se relacionou com a cultura popular pernambucana. Em vez de substituir tradições locais, o movimento passou a valorizá-las. "Uma coisa muito especial do Manguebeat é que passou-se a colocar os mestres da cultura popular no palco, e não a substituí-los. Então, as formas de fusão musical não se tornaram uma substituição daquilo que era a cultura popular", conta. Chico Science e Fred Zero Quatro YouTube/Reprodução De Pernambuco para o mundo O impacto de Chico Science e da Nação Zumbi no Brasil, e também fora dele, está diretamente ligado ao trabalho desenvolvido pelo artista em parceria com a banda, principalmente por causa dos dois álbuns lançados durante sua trajetória. "Ele conseguiu lançar com a Nação Zumbi dois dois álbuns, o Da Lama ao Caos e o Afrociberdelia. E o impacto foi muito grande. Tanto que são dois álbuns que estão em várias listas de críticos como melhores álbuns da década, melhores álbuns da música popular. Eu, que sou da geração do Chico, para mim e para minha geração toda foi um tremendo impacto", disse. Para a professora, parte dessa repercussão se explica pela originalidade da sonoridade criada pela banda, que misturava ritmos pernambucanos com referências do rock, do hip hop e da música eletrônica, algo pouco comum no cenário musical da época. "A sonoridade da Nação zumbi era uma novidade absoluta que depois foi imensamente copiada. Então, nacionalmente, eu acho que chacoalha o panorama da música popular brasileira dos anos 90. Internacionalmente, Chico Science e Nação Zumbi entram num circuito mais de festivais de World Music", afirma. Luciana Mendonça também destaca que o legado do artista vai além da música e influenciou a postura criativa de diversas bandas. A ideia defendida por Chico Science era que os artistas expressassem sua própria identidade cultural a partir das referências que carregavam. "Uma coisa que inspira várias bandas, nacionais e internacionais, é a questão do 'faça o que você é', inspirado no lema punk do 'faça você mesmo' ou 'do it yourself'.O Chico vai falar 'faça o que você é'. Ou seja, expresse aquilo tudo que você absorveu no seu processo de socialização, falando mais academicamente. Esta ideia do 'faça o que você é' vai inspirar muitas bandas dentro e fora do Brasil", contou. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

FONTE: https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2026/03/13/60-anos-de-chico-science-o-cientista-dos-ritmos-que-levou-o-mangue-do-recife-para-o-mundo.ghtml


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